quarta-feira, 25 de março de 2009

Guerra no Legislativo em Campos Dos Goytacazes


Uma verdadeira praça de guerra. Esse foi o cenário da Câmara de Vereadores de Campos na sessão desta terça-feira (24/03) onde ao invés de se discutir assuntos de interesse pertinentes ao desenvolvimento da cidade e a busca por soluções para os inúmeros problemas que a cidade atravessa, foram realizados debates partidários e individuais entre boa parte dos vereadores. Uns defendiam a própria reputação, enquanto outros defendiam seus grupos políticos. O nome de maior destaque na briga não se fez presente: Anthony Garotinho, que no último sábado (21/03), em seu programa de rádio na Diário FM, deu início a polêmica, o que desencadeou a primeira grande discussão na Casa e rompimentos entre vereadores do mesmo partido e até uma provável ruptura de coligação.A sessão foi aberta e a primeira impressão era de que não haveria debates calorosos a respeito da CPI da CamposLuz, até que Nelson Nahim (PMDB) iniciou a discussão alegando que como presidente da Casa não iria permitir que houvesse a intromissão de políticos que desta não fizessem parte, chegando a citar o nome do deputado federal Geraldo Pudim, presidente municipal do PMDB, que se declarou ser contrário a formação anunciada entre os membros da CPI, com Papinha (PP) como presidente e Jorge Rangel (PSB) como relator, o que contrariou o desejo do partido, que queria Jorge Magal (PMDB) como presidente, e Papinha, como relator.Nahim declarou ainda ser contrário a prática de se utilizar os microfones em emissoras de rádio para discutir assuntos do Legislativo, o que neste caso, foi feito por seu irmão.Daí em diante o que se viu foi um verdadeiro espetáculo de defesas e ataques. Marcos Bacellar (PT do B) foi a Tribuna para atacar diretamente Anthony Garotinho, o que causou um verdadeiro frisson. Magal, o mais exaltado e polemizando ainda mais a questão, Gil Viana (PSDC), Albertinho (PP), Papinha (PP), Vieira Reis (PRB) e Kellinho (PR) se pronunciaram em defesa de Garotinho. Depois foi a vez do Abdu Neme expor sua opinião e esquentar ainda mais os ânimos, ao afirmar que é favorável ao rompimento imediato do PSB com o PMDB.Renato Barbosa (PT), mesmo afirmando que não pretendia fazer uso da palavra, lamentou tudo o que vinha acontecendo nos últimos dias e chamou a atenção para o risco que os parlamentares corriam diante da quebra de decoro, com a exposição de agressões públicas em programas de rádio, o que é contrário ao regimento interno do Legislativo.A sessão foi prorrogada por mais duas horas e assim a pauta pode ser concluída, inclusive com a presença do presidente da concessionária Águas do Paraíba, Carlos Eduardo de Castro, empresa convidada a esclarecer algumas dúvidas e questionamentos sempre feitos. Foi feita uma explanação com slides das principais metas, assim como a história de 10 anos da mesma na cidade. Foram apresentadas as etapas dos tratamentos de água e esgoto, além dos esclarecimentos feitos aos vereadores. O encerramento aconteceu já próximo às 22h.RUPTURA ANUNCIADAAs palavras ditas pelo vereador Abdu Neme demonstram que a coligação entre o PMDB e PSB parece mesmo ter seus dias contatos em Campos. “Muito me surpreende ver o vereador Jorge Magal brigando para ser presidente da CPI, como se isso fizesse alguma diferença. Se nós não quiséssemos não teríamos aceito a CPI e mais, que ingenuidade, se fosse para ficar com a presidência, indicaríamos o Dante. Que fique claro que não votamos no Magal e sim no Papinha, para mostrar que não aceitamos determinações e muito menos de outros partidos.foi para provar que quem manda aqui somos nós. Não aceito que se coloque em suspeição o nome do Jorge Rangel. Ninguém tem esse direito. E tem mais, não aceitarei mais que aqui no Plenário usem de chacota contra o ex-prefeito Alexandre Mocaiber, que é presidente do PSB, partido do qual sou líder na bancada. Como líder do partido, por mim saio agora da coligação. Temos compromisso e vamos cumprir, desde que não seja para ditarem as ordens”.Altamir Bárbara (PSB) afirmou que vai seguir o seu pensamento e vai defender o governo municipal independente da decisão do partido. Já Jorge Rangel, pautou seu posicionamento em palavras mais serenas e não direcionou sua decisão.De Brasília, o presidente municipal do PMDB, Geraldo Pudim, declarou por telefone que segue com o pensamento de romper. “Não existe coligação parcial e é isso que estamos vendo. Não tem que haver preocupação com a perda de vereadores coligados, e sim em nos pautar no combate a corrupção. Não vamos compactuar com tudo aquilo que tanto denunciamos. O governo tem que seguir na sua conduta de governar com transparência. Vamos reunir a nossa executiva provavelmente no próximo sábado e tomar a decisão que for a mais adequada e de entendimento”, declarou Pudim.A executiva do PMDB é formada por Geraldo Pudim, Nelson Nahim, Jorge Magal, Suledil Bernardino e Maria Auxiliadora Freitas.

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